Data do encontro: · Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), Rio de Janeiro

Delegação chinesa debate automóveis, moda, inteligência artificial e intercâmbio acadêmico no Rio de Janeiro

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Delegação chinesa debate automóveis, moda, inteligência artificial e intercâmbio acadêmico no Rio de Janeiro

A delegação chinesa liderada por Jin Liyin, professor da Fudan School of Management, foi recebida na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) em encontro conduzido pela deputada estadual Tia Ju, presidente da Frente Parlamentar Brasil–China no Estado do Rio de Janeiro. Sob sua condução, o encontro reuniu representantes de setores distintos — indústria automotiva, moda, tecnologia, educação superior e associativismo — em uma conversa direta sobre o que o mercado brasileiro exige de quem pretende operar no país e sobre o que o Estado do Rio de Janeiro tem a oferecer.

O formato foi o de diálogo aberto: apresentações curtas de cada área, perguntas dos participantes brasileiros e encaminhamentos objetivos ao final. A Câmara Brasil China Nova Era de Comércio e Inovação (CBCNECI) acompanhou a agenda e registrou as demandas apresentadas pela delegação.

Quem integrou a delegação

Além de Jin Liyin, da Fudan University, que liderou o grupo, participaram Gu Dan, também da Fudan University; Jia Zongda, do EHY Lawyers; Xu Yanping, do Xi'an Gaoshanshuiliu Group; Weng Bin, do Jinqiang Green Habitat Group Co., Ltd.; Gu Lin, do DeHeng Shanghai Law Firm; e Huang Fang, da Jida (Shanghai) Textile Co., Ltd.

Completaram a comitiva Lü Zhihong, da Shandong Mineng Biotechnology Co., Ltd.; Zhang Fu, do Shanghai Jiatou Internet Technology Group Co., Ltd.; Yuan Chao, do Chengda Group; Weng Zhenqiang, da Zhejiang Gaoyu Home Technology Co., Ltd.; Chen Baoying, da Ruiyingda Exhibition; Lai Shaosong, do Beijing Yingke Law Firm; Lin Jian, da Kehua Data Co., Ltd.; e Yuan Shiqi, da Shanghai Youhan Culture Exchange Co., Ltd. Du Nan participou representando duas organizações: a Hong Kong Zhida Industrial e a Shanghai Jingfanwei Culture & Media Co., Ltd.

Contexto institucional: 132ª delegação recebida

O presidente da Federação das Câmaras de Comércio Exterior (FCCE), Adair Roberto Carneiro, celebrou com entusiasmo a recepção da 132ª delegação chinesa acolhida nesse trabalho continuado de aproximação entre Brasil e China. O número, mencionado como marco do esforço acumulado ao longo dos anos, ajudou a situar o encontro em uma trajetória institucional já consolidada, e não como iniciativa isolada.

Para contextualizar a dimensão do território que recebia os visitantes, Adair apresentou indicadores da economia fluminense, percorrendo o perfil produtivo do Estado e as frentes em que a chegada de capital e tecnologia estrangeiros pode encontrar terreno preparado. A exposição cumpriu função prática: dar à delegação uma leitura de escala antes de qualquer conversa setorial.

Oportunidades no Estado do Rio de Janeiro

A pedido da deputada Tia Ju, Alexandre Augusto Ribeiro apresentou um panorama mais detalhado das oportunidades empresariais no Estado do Rio de Janeiro. A exposição desceu do quadro macroeconômico para o plano dos negócios: setores com demanda instalada, gargalos que abrem espaço para novos fornecedores e áreas em que parcerias com empresas chinesas podem ser estruturadas com maior rapidez.

Foi o momento em que a conversa deixou de ser protocolar. As perguntas da delegação passaram a tratar de prazos, exigências e interlocutores — o tipo de detalhe que aparece quando o interesse já não é apenas diplomático.

Sociedade civil e a manutenção do vínculo

O Secretário-Geral da Associação da Amizade Sino-Brasileira destacou o papel relevante das associações na aproximação entre Brasil e China e na manutenção das diversas frentes de relacionamento entre os dois povos. Sua fala lembrou que acordos comerciais dependem de uma camada anterior, feita de convivência cultural, redes pessoais e continuidade — e que essa camada não se sustenta sozinha, precisa ser cuidada por entidades que permanecem quando as agendas oficiais terminam.

A visão da CBCNECI: tecnologia com pessoas no centro

Em nome da CBCNECI, Paulo Alves observou que o momento atual é marcado por inteligência artificial, robôs humanoides e um avanço tecnológico acelerado que vem reduzindo as fronteiras entre países e mercados. Ferramentas que antes exigiam estrutura e distância hoje aproximam empresas em questão de dias. Ainda assim, sustentou, o ser humano precisa permanecer no centro desse processo: tecnologia organiza a operação, mas é a confiança entre pessoas que decide se uma relação comercial sobrevive ao primeiro obstáculo.

A partir dessa leitura, apresentou a ambição institucional da Câmara. A CBCNECI quer potencializar a relação Brasil–China e trabalhar para que, no marco dos 60 anos das relações diplomáticas entre os dois países — daqui a cerca de oito anos —, os resultados dessa relação tenham sido acelerados em cinco vezes. A meta foi colocada como compromisso de trabalho da entidade, não como promessa garantida nem como previsão de mercado: uma referência para medir, ao longo da próxima década, se a aproximação avançou de fato.

Automotivo: pedido por leitura estruturada do mercado

Yuan Chao, presidente do Chengda Group, representa um grupo ligado a 18 marcas chinesas de automóveis. Destacou que a visita teve como objetivo conhecer diretamente o mercado brasileiro e apontou o potencial de crescimento observado. Pediu acesso a informações mais estruturadas sobre regras de importação, tributação, exigências de conteúdo local e oportunidades de produção no país — sinal de que o interesse chinês pelo Brasil já migrou da fase exploratória para a fase de avaliação técnica.

Moda e inteligência artificial na criação de coleções

Grace Huang apresentou a operação do setor de moda, com ênfase no uso de inteligência artificial na criação e no desenvolvimento de novas coleções, da leitura de tendências à definição de linhas de produto. Mencionou relacionamento comercial com grandes redes varejistas brasileiras, entre elas Pernambucanas e Renner, como referência do padrão de volume e prazo praticado no país.

Educação: convite para avaliar intercâmbios

Jin Liyin, líder da delegação, abordou possibilidades de formação de pessoas. Destacou o nível de qualidade na formação de administradores oferecida pela Fudan University e convidou as instituições brasileiras presentes a iniciar a avaliação de programas de intercâmbio acadêmico, incluindo cursos de curta duração e cooperação entre escolas de gestão. Foi a frente com caminho mais curto entre intenção e projeto: intercâmbio depende menos de regulação e mais de acordo entre instituições.

Ambiente de negócios: percepção do visitante

Outra participante comentou o tema da segurança pública a partir da própria experiência durante a estada no Brasil, após ter o cartão de crédito clonado. O relato foi tratado no encontro como percepção do ambiente de negócios: um desafio brasileiro já conhecido, que integra a avaliação de risco de qualquer investidor estrangeiro e que costuma ser endereçado com orientação prévia, meios de pagamento adequados e suporte local ao visitante.

Próximos passos

A conclusão do encontro apontou para a transformação do diálogo em uma agenda de trabalho Brasil–China, com aprofundamento em quatro frentes: setor automotivo, moda e inteligência artificial, educação e intercâmbio acadêmico, e ambiente institucional e regulatório. A CBCNECI ficou responsável por organizar o material de contexto solicitado e por encaminhar os desdobramentos setoriais, mantendo a articulação com a Frente Parlamentar Brasil–China no Estado do Rio de Janeiro e com as entidades presentes.

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